sexta-feira, março 07, 2008

“I Am Mine”


Não vou mentir e dizer que tudo posso
Em mim sei aonde a verdade se esconde
Vou descobrir o manto e alcançar o ponto
Pois sábio é aquele que se cala para se ouvir
Ignorante é aquele que nega a se conhecer
Porque a maior ignorância é a de si mesmo.
Afinal o que um passo a mais pode me dar
Que minha alma já não tenha me dado
Se essa é a hora de parar me renderei
Levantarei meus braços diante de mim.
Feliz de quem possui a vida completamente
Triste de quem a possui parcialmente.
Posso ter qualquer riqueza, mas não de alma,
Porque a única riqueza de alma sou eu
E não há paisagem se não o que somos.

Foto por Dyna Hoffmann

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Quero Assim


Dar sorriso sem motivo
E flores sem ocasião

Abraçar tão forte
Só pra sentir o coração

Não pensar no dizer
Apenas libertar o sentir

Não ter receio de ser
É não ter medo de doer

Simplesmente querer
Amar além do medo
E simplesmente saber
Que amar se aprende amando.

Foto por Manu Coloma

terça-feira, fevereiro 12, 2008

...e a porta se abriu


O acaso criou para nós um encontro
Em hora e dia marcado por Deuses
Uma razão para confidências secretas
Que há tempos não se via sobre a terra.

Todos os movimentos do amor são partes
De prazer e dor carregados dentro do peito
Revelando verdadeiros sinais em formas reais
Multiplicando cuidado que por ti tenho levantado.

Pensamentos sinceros em um mundo de enganos
Enquanto profanos e aleivosos arquitetam seus planos
Eu apenas penso em ti e tu só pensas em mim.

Até agora seus olhos inda viram só parte de uma parte
Meus sonhos são teus enigmas de amor puro e raro
Trazendo à vista tão claro o que antes fora escuro.

Pena ir, melhor seria ficar, triste ter a saudade como par,
Guardada em um lugar onde só o amor se atreve caber.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Pois é


É tão claro o dia, mas em meu corpo é treva,
A culpa baixa nos meus ombros e seu peso me leva.

Vejo o que lhe dói bem lá no fundo
Porque também já me fizeram doer nesse mundo.

Por mim e por todos cai meu choro
Segue sinfonia de desespero em bravo coro.

Dor de primeira, mas não única despedida,
Trazendo deserto por onde anda a vida.

Dor de tudo, dor doente e amaldiçoada,
Consumindo o próprio sal da face inchada.

Dor do tempo que passou ignorado
Deixando a dor para um não amado.

Se não é o amor que nos liberta
Terá alguém uma resposta mais certa?

Será só ele mesmo que nos ilumina a face?
Só ele, mesmo de tão longe queremos que nos abrace.

Ao amor nada se explica nada se cala e nunca se basta
Sobre a terra desconheço algo de natureza tão casta.

E a prova é que para amar temos que estar vivendo
Tanto quanto para doer o que está doendo.

Foto por Manu Coloma

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Vou


Passou no rosto o lenço de adeus
Seguiu andando, pois é tempo de andar,
Deixou para trás fantasmas em pleno ar
Pela frente avista caminhos todos seus.

Quem clama é o futuro que ninguém responde
Repleto de acasos no ir e vir para não sei onde
Sentou e pensou em tudo de que o destino é feito
Respirou lentamente a liberdade dentro do peito.

Abriu os braços naturalmente em forma de asa
Tornou-se real para ele mesmo naquele momento
Entendendo que a vida cura a dor que passa
Assim também como a chuva o sol e o vento.

Porque é sempre tempo de recomeçar
Esquecer dos olhos o rastro de choro
Lembrando aos olhos a direção do olhar
O mais é tinta, sem esperança de quadro.

Foto por Bruno Miranda

terça-feira, janeiro 08, 2008

Varanda


Por onde andas?
Procuro por esta varanda
Enquanto a vida desanda.

Deste alto rondo
Vendo sol ante sol se pondo
Mas ainda não é tua voz que respondo.

Não há nada de ti
Nem acima ou abaixo daqui
Apenas tua ausência senti.

E por isso morro
Por não estar na minha frente
Mas sempre nos olhos da minha mente.

Foto por Manu Coloma

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Coisas


Enterrou o sorriso com que amavas
Fez-se lábio cinza imposto pela vida
Às tuas mãos só importam coisas.

Inúmeras tristezas e amarguras
Salvas dia a dia no mar da ira
Às tuas mãos só cabem coisas.

Serás nome inútil gravado em lápide
Dono único de um corpo morto
Às tuas mãos só carregam coisas.

E tudo que leva não preenche
Espaço algum se completa
Às tuas mãos só seguram coisas.

Pobre eu, só queria o que és e não o que dás.

Foto por Francisco Garrett

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Parte de um momento


Lagrimas secam pelo meu rosto
Saudade de como eu era antes
De cabeça baixa segue a alma enrugada
Por fora o corpo aparenta como ontem
Mas tudo escorre por dentro em mar de sal
Minha alma repousa em um barco velho
Navegando a deriva sem destino e só
Sou puro pensamento e nada sentimento
Talvez porque quem se vê bem não serve para se notar
Escondo-me de todos menos de mim
O mundo me enterra com pedras pesadas
Como não sei o que fazer com elas as guardo
Afundo neste mar profundo e denso
Ergue-se na encosta uma verdade falsa
Vejo em mim o antes e o depois
Já não tenho certeza se devo continuar.

Foto por Manu Coloma

terça-feira, novembro 27, 2007

Flores de chuva


Se cada beijo fosse
Anuncio de despedida
Beijaria como se fosse
Ultimo suspiro de vida
Aqui escorre a chuva triste
Que talvez já nos toque
Dizendo em palavras justas
Que flores não são perenes
Sendo as flores findas
Findo aqui nossas dores.

Foto por Manu Coloma

segunda-feira, novembro 19, 2007

Móbile


E a dor já é de pesar
Um espaço negro e profundo
Sem mágoa e sem amor
Vazio por fora oco por dentro.

Não sei mais os sonhos que tenho
Que angustia me fere?
Que prazer me encanta?

Para alguém que espera em vão
Já nada mais espera,
Já nada mais teme.

Onde a dor é um bem
Ser é fingir ser outro
Estar é mentir o momento.

Foto por Bruno Miranda