quinta-feira, dezembro 13, 2007

Coisas


Enterrou o sorriso com que amavas
Fez-se lábio cinza imposto pela vida
Às tuas mãos só importam coisas.

Inúmeras tristezas e amarguras
Salvas dia a dia no mar da ira
Às tuas mãos só cabem coisas.

Serás nome inútil gravado em lápide
Dono único de um corpo morto
Às tuas mãos só carregam coisas.

E tudo que leva não preenche
Espaço algum se completa
Às tuas mãos só seguram coisas.

Pobre eu, só queria o que és e não o que dás.

Foto por Francisco Garrett

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Parte de um momento


Lagrimas secam pelo meu rosto
Saudade de como eu era antes
De cabeça baixa segue a alma enrugada
Por fora o corpo aparenta como ontem
Mas tudo escorre por dentro em mar de sal
Minha alma repousa em um barco velho
Navegando a deriva sem destino e só
Sou puro pensamento e nada sentimento
Talvez porque quem se vê bem não serve para se notar
Escondo-me de todos menos de mim
O mundo me enterra com pedras pesadas
Como não sei o que fazer com elas as guardo
Afundo neste mar profundo e denso
Ergue-se na encosta uma verdade falsa
Vejo em mim o antes e o depois
Já não tenho certeza se devo continuar.

Foto por Manu Coloma

terça-feira, novembro 27, 2007

Flores de chuva


Se cada beijo fosse
Anuncio de despedida
Beijaria como se fosse
Ultimo suspiro de vida
Aqui escorre a chuva triste
Que talvez já nos toque
Dizendo em palavras justas
Que flores não são perenes
Sendo as flores findas
Findo aqui nossas dores.

Foto por Manu Coloma

segunda-feira, novembro 19, 2007

Móbile


E a dor já é de pesar
Um espaço negro e profundo
Sem mágoa e sem amor
Vazio por fora oco por dentro.

Não sei mais os sonhos que tenho
Que angustia me fere?
Que prazer me encanta?

Para alguém que espera em vão
Já nada mais espera,
Já nada mais teme.

Onde a dor é um bem
Ser é fingir ser outro
Estar é mentir o momento.

Foto por Bruno Miranda

sexta-feira, novembro 09, 2007

Hoje em dia


Quando não te tinha não sabia
Que meu olhar era tão cego.

Mas sabia que tudo incompreendia
Certo de que hoje reparo diferente.

Sendo mais calmo, sereno e sincero,
Reparo sol, lua, nuvens e flores.

Reparo gosto e aroma
Tu existes, sou melhor.

Pois me amando, amo-a,
Me escolheu e assim se deu.

Nossos olhares fitaram-se
E tudo ficou demoradamente
Em silencio e congelado
Sobre todas as outras coisas.

Só me arrependo de não ter lhe amado antes
Mas penso que é este o valor da descoberta
Penso em ti e dentro de mim sou completo.

Sou eu, sou feliz,
Porque todos os dias acordo, lhe olho e sinto amor.

Foto por Manu Coloma

terça-feira, outubro 09, 2007

De longe


Gosto de tuas palavras
Pelo sabor que destes
Gosto de teus gestos
Pela delicadeza que tens
Gosto de teu sorriso
Pelo caminho que abres.

Simples assim
Gosto de tu
Sem sequer saber
Se gostas de mim.

Gosto de teus olhos
Pelos sonhos que vês
Gosto de tuas mãos
Pelo carinho que guardas
Gosto de teus lábios
Pelo segredo que és.

Simples assim
Gosto de tu
Sem sequer saber
Se gostas de mim.

Escrevo aqui esta verdade...
Quando penso em teu rosto
Fecho os olhos de saudade.

Foto por Nuno Manoel Batista

segunda-feira, setembro 24, 2007

“Amar se aprende amando”


Pousa nesses ramos a queda do amor
Que por puro descuido não regaste
Segue à dor a morte em lentos movimentos
Fenecendo sob o céu aos olhos de Deus.

Perdoarias tu se confessasses
Pois assim não seria mentir
Não perdôo então emudeço
Secando os galhos em desamor.

Caíram minhas pernas
Perdeu-se a vontade de andar
Segue o natural das coisas e das gentes
Não esperava que tu fosses como eles.

Esperava que fosse como eu imaginava
Mas todo sentimento escapa à letra escrita
E sem ter nem um nem outro
Emolduro a luz que por dias me iluminou.

Sendo sou planta fraca em tom amarelo
Recebendo água vã do pranto meu.

Obs: A foto de Lú Peçanha que ilustrava este post foi retirada a pedido de sua assessoria jurídica. Para maiores detalhes e esclarecimentos favor ler "comentários" abaixo.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Morte de Carlos Slim


Em mim as lágrimas nunca são o bastante
Contra esse inferno ardente e mal tratante
São da minha dor os espaços sem medida
De uma falsa esperança fantasiada de vida.

Ao sorriso cobre lágrima e horror
Champanhe bebemos quando há festa
Vinho bebemos quando há dor
E em ambos os copos nada resta.

Eram meus os sonhos de um menino novo
Hoje são todos rostos vazios feito um morto
Reduziram-me a poder e dinheiro dentro do bolso
Tornei-me um velho que da vida não sente mais gosto.

Foto por Ricardo da Costa

quarta-feira, agosto 29, 2007

Pausa para não pensar


Vou escrevendo estas linhas como quem não se preocupa
Em preencher os espaços com as palavras e sentidos certos
Simplesmente escreverei assim o que me acontece
Feito gestos a apontar direção para alguém perdido.

Vou procurar dizer o que sinto sem pensar no que sinto
Descolando as palavras da razão e a mente das idéias
Queimando as pontes do pensamento para que não tenha saída
Tão somente eu preciso não saber que não sei.

Despir-me-ei do tanto que escolhi aprender
Acharei um modo de esquecer o que me ensinaram
Raspando o gelo com que cobriram meus sentidos
Serei eu sem capa e sem mascara apenas alguém que sente.

Assim continuo a escrever ora bem, ora mal,
Ora errando, ora acertando o que quero dizer,
Por vezes caindo, mas acreditando que posso continuar
Indo sempre pelo meu caminho feito um animal cego.

Sou um descobridor de mim e do mundo
Alguém ao encontro das sensações verdadeiras
Chegando ao destino desvendo o que realmente existe
E o que existe é não precisar aprender
Porque trago minha natureza a uma nova natureza
E o que levo para minha natureza é o meu próprio eu.

Foto por Renato Brandão

terça-feira, agosto 21, 2007

Gregório e Deus, o Diabo e a Mulher


Ah meu Senhor não venha dizeres
Que fui eu a errar e pecar
Se foste tu a criar estas mulheres
Que nos roubam o ar.

Quem sois vós para vir a mim
Chegar ante Deus e pedir
Para melhor vos ouvir.

Saibas que por ti pratico minha fé
Mas o que hei de fazer
Se por elas perco o chão do meu pé.

Se pecados tens a lhe pesar
Perdão é o que pedes
Para que possas descansar.

Não me entenda assim por mal
E nem se sintas ofendido
Porque pelo que faço
Jamais me sinto arrependido.

Ainda se faz de rogado
Atrevido ser desalmado
Saibas que pestes lançarei
Por seus caminhos sem lei.

Sua graça perseguirei, Redentor
Para libertar meu pecado confinado
Porque sei que és maior, Senhor
E por tudo serei por ti perdoado.

Não tenhas tanta certeza
Que vossa Alteza ira revogar
Pois Cristo queres enganar
E com o Diabo prefere se juntar.

Sei que missa inteira nunca ouvi
Exercitei taras por mulheres raras
Levei meus atos ao rumo dos pecados
Mas como não ser pagão tendo olhos então.

E lá se vão elas levando nosso sono
E lá se vão elas com andares profanos
Mulheres demônios
Homens mundanos.

Foto por Marta