terça-feira, novembro 27, 2007

Flores de chuva


Se cada beijo fosse
Anuncio de despedida
Beijaria como se fosse
Ultimo suspiro de vida
Aqui escorre a chuva triste
Que talvez já nos toque
Dizendo em palavras justas
Que flores não são perenes
Sendo as flores findas
Findo aqui nossas dores.

Foto por Manu Coloma

segunda-feira, novembro 19, 2007

Móbile


E a dor já é de pesar
Um espaço negro e profundo
Sem mágoa e sem amor
Vazio por fora oco por dentro.

Não sei mais os sonhos que tenho
Que angustia me fere?
Que prazer me encanta?

Para alguém que espera em vão
Já nada mais espera,
Já nada mais teme.

Onde a dor é um bem
Ser é fingir ser outro
Estar é mentir o momento.

Foto por Bruno Miranda

sexta-feira, novembro 09, 2007

Hoje em dia


Quando não te tinha não sabia
Que meu olhar era tão cego.

Mas sabia que tudo incompreendia
Certo de que hoje reparo diferente.

Sendo mais calmo, sereno e sincero,
Reparo sol, lua, nuvens e flores.

Reparo gosto e aroma
Tu existes, sou melhor.

Pois me amando, amo-a,
Me escolheu e assim se deu.

Nossos olhares fitaram-se
E tudo ficou demoradamente
Em silencio e congelado
Sobre todas as outras coisas.

Só me arrependo de não ter lhe amado antes
Mas penso que é este o valor da descoberta
Penso em ti e dentro de mim sou completo.

Sou eu, sou feliz,
Porque todos os dias acordo, lhe olho e sinto amor.

Foto por Manu Coloma

terça-feira, outubro 09, 2007

De longe


Gosto de tuas palavras
Pelo sabor que destes
Gosto de teus gestos
Pela delicadeza que tens
Gosto de teu sorriso
Pelo caminho que abres.

Simples assim
Gosto de tu
Sem sequer saber
Se gostas de mim.

Gosto de teus olhos
Pelos sonhos que vês
Gosto de tuas mãos
Pelo carinho que guardas
Gosto de teus lábios
Pelo segredo que és.

Simples assim
Gosto de tu
Sem sequer saber
Se gostas de mim.

Escrevo aqui esta verdade...
Quando penso em teu rosto
Fecho os olhos de saudade.

Foto por Nuno Manoel Batista

segunda-feira, setembro 24, 2007

“Amar se aprende amando”


Pousa nesses ramos a queda do amor
Que por puro descuido não regaste
Segue à dor a morte em lentos movimentos
Fenecendo sob o céu aos olhos de Deus.

Perdoarias tu se confessasses
Pois assim não seria mentir
Não perdôo então emudeço
Secando os galhos em desamor.

Caíram minhas pernas
Perdeu-se a vontade de andar
Segue o natural das coisas e das gentes
Não esperava que tu fosses como eles.

Esperava que fosse como eu imaginava
Mas todo sentimento escapa à letra escrita
E sem ter nem um nem outro
Emolduro a luz que por dias me iluminou.

Sendo sou planta fraca em tom amarelo
Recebendo água vã do pranto meu.

Obs: A foto de Lú Peçanha que ilustrava este post foi retirada a pedido de sua assessoria jurídica. Para maiores detalhes e esclarecimentos favor ler "comentários" abaixo.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Morte de Carlos Slim


Em mim as lágrimas nunca são o bastante
Contra esse inferno ardente e mal tratante
São da minha dor os espaços sem medida
De uma falsa esperança fantasiada de vida.

Ao sorriso cobre lágrima e horror
Champanhe bebemos quando há festa
Vinho bebemos quando há dor
E em ambos os copos nada resta.

Eram meus os sonhos de um menino novo
Hoje são todos rostos vazios feito um morto
Reduziram-me a poder e dinheiro dentro do bolso
Tornei-me um velho que da vida não sente mais gosto.

Foto por Ricardo da Costa

quarta-feira, agosto 29, 2007

Pausa para não pensar


Vou escrevendo estas linhas como quem não se preocupa
Em preencher os espaços com as palavras e sentidos certos
Simplesmente escreverei assim o que me acontece
Feito gestos a apontar direção para alguém perdido.

Vou procurar dizer o que sinto sem pensar no que sinto
Descolando as palavras da razão e a mente das idéias
Queimando as pontes do pensamento para que não tenha saída
Tão somente eu preciso não saber que não sei.

Despir-me-ei do tanto que escolhi aprender
Acharei um modo de esquecer o que me ensinaram
Raspando o gelo com que cobriram meus sentidos
Serei eu sem capa e sem mascara apenas alguém que sente.

Assim continuo a escrever ora bem, ora mal,
Ora errando, ora acertando o que quero dizer,
Por vezes caindo, mas acreditando que posso continuar
Indo sempre pelo meu caminho feito um animal cego.

Sou um descobridor de mim e do mundo
Alguém ao encontro das sensações verdadeiras
Chegando ao destino desvendo o que realmente existe
E o que existe é não precisar aprender
Porque trago minha natureza a uma nova natureza
E o que levo para minha natureza é o meu próprio eu.

Foto por Renato Brandão

terça-feira, agosto 21, 2007

Gregório e Deus, o Diabo e a Mulher


Ah meu Senhor não venha dizeres
Que fui eu a errar e pecar
Se foste tu a criar estas mulheres
Que nos roubam o ar.

Quem sois vós para vir a mim
Chegar ante Deus e pedir
Para melhor vos ouvir.

Saibas que por ti pratico minha fé
Mas o que hei de fazer
Se por elas perco o chão do meu pé.

Se pecados tens a lhe pesar
Perdão é o que pedes
Para que possas descansar.

Não me entenda assim por mal
E nem se sintas ofendido
Porque pelo que faço
Jamais me sinto arrependido.

Ainda se faz de rogado
Atrevido ser desalmado
Saibas que pestes lançarei
Por seus caminhos sem lei.

Sua graça perseguirei, Redentor
Para libertar meu pecado confinado
Porque sei que és maior, Senhor
E por tudo serei por ti perdoado.

Não tenhas tanta certeza
Que vossa Alteza ira revogar
Pois Cristo queres enganar
E com o Diabo prefere se juntar.

Sei que missa inteira nunca ouvi
Exercitei taras por mulheres raras
Levei meus atos ao rumo dos pecados
Mas como não ser pagão tendo olhos então.

E lá se vão elas levando nosso sono
E lá se vão elas com andares profanos
Mulheres demônios
Homens mundanos.

Foto por Marta

terça-feira, agosto 07, 2007

João & Maria


O que se sabia
Era que João
Queria que Maria
O quisesse um dia
Ele apaixonado
Enquanto ela fingia
Foram tantas cartas
De infinitas poesias
E de Maria
Nenhuma resposta viria.

Um certo João
Uma errada Maria,

O que se sabia
Era que tudo
Acabaria um dia
E um novo amor
Ele veria
Suas cartas ela leria
Foi quando João
Cansou de querer
Queria Maria
Chorar o que perdia.

Um errado João
Uma certa Maria,

Essa historia
É só mais uma
Que se repetiria
Para provar que amor
Não se trata
Com mesquinharia
Supõe-se que Maria
Do amor pouco amava
Ou pouco entendia
Pois matar um amor
É estar ausente
Do presente
De quem ama.

Foto por Fernando Figueiredo

terça-feira, julho 24, 2007

Breve história de um longo reinado


Ante a Forca

O papel a carne e a caneta faca
Deslizando levemente sob anatomia
Quase desconhecida
É um acordo que eu tenho
Com Deus e com o Diabo
Pelo que ouvi dizer do purgatório
Este seria o melhor lugar para mim
Ah... Quem ouvisse minha voz
Diria de mim que perdi a cabeça
Que digam, mas que me escutem.

Ante Deus

Hoje não quero falar de um grande amor
De chegadas ou partidas
Não quero falar palavras vazias
Repetições e nostalgias...
E assim que os olhos põem
Em mim o tratado de encerra
Hão de dizer que em mim fui eu, sempre,
Nesse chão cárcere minhas últimas palavras
Compõem-se e se decompõem
Diriam de mim, lá se foi mais um louco,
Ririam de mim, a morte pra mim é pouco.

Ante o próprio Corpo

Confabulam, se misturam ao redor de um corvo morto
Murmuradores nocivos com seus véus e terços
Cuidadosos com suas línguas de ponta de lança
Afinal de morto não se fala mal, ética social,
Ah, mas por dentro pedras e aleivosias...
Sempre há quem dê ouvidos ao mentir
Quando para os bons serei inferno e fogo
E para os maus paz e paraíso
Mas se serei eu o que dizem
Como serei eu o que sou?

Ante os Amigos

Respondo: deixem dizer os malditos
Nunca se tem entrada para todos no circo
Nem toda terra que piso aponta caminho prometido
Ventura todos dizem que é preciso
Mas com a verdade são poucos a marcar batismo
Não entregarei o meu silêncio
As rédeas dos que se dizem Barões
Se eles pecam pelo desejo de manter corrompido
Todos os magros espíritos alheios
Morrerei pelo lampejo de ver acesa
A ultima luz de um lampião esquecido.

Ante os Inimigos

Sua mentira mastigada entre os caninos
São que em tudo que digo me amparo
De nobre verdade e de fieis amigos
Por minha desventura pode estar minha vida
Repleta de abismos e sonhos banidos
Mas não culpo a carroça pelo erro do animal
Então meus caros Nobres deste quintal
Como querem que haja dentro deles
Fé, esperança ou sorriso festivo...
Como falei a pouco ali bem atrás
Sua verdade apareceu de braços cruzados e fugidos
Gerando espinhos de dor e espíritos submissos.

Ante o Diabo

Antes de ir-me a morte um ultimo aviso:
Levantarão eles um dia para sangrar seu trono
Sem se importar irão todos os seus enforcar
Ladrões, assassinos e vossos meninos...
Pois abaixo de tantos mandos e desmandos
Escondem-se fezes venenosas e mal cheirosas
Não importará a eles seus corpos mortos
Ou o quanto Deus se sentirá ofendido
Servirão apenas para dar-lhes motivo
De único e verdadeiro sabor de ódio possuído.

Ante mim

Sendo, descansará aqui a paz.


Foto por Bart