quarta-feira, janeiro 16, 2008

Vou


Passou no rosto o lenço de adeus
Seguiu andando, pois é tempo de andar,
Deixou para trás fantasmas em pleno ar
Pela frente avista caminhos todos seus.

Quem clama é o futuro que ninguém responde
Repleto de acasos no ir e vir para não sei onde
Sentou e pensou em tudo de que o destino é feito
Respirou lentamente a liberdade dentro do peito.

Abriu os braços naturalmente em forma de asa
Tornou-se real para ele mesmo naquele momento
Entendendo que a vida cura a dor que passa
Assim também como a chuva o sol e o vento.

Porque é sempre tempo de recomeçar
Esquecer dos olhos o rastro de choro
Lembrando aos olhos a direção do olhar
O mais é tinta, sem esperança de quadro.

Foto por Bruno Miranda

terça-feira, janeiro 08, 2008

Varanda


Por onde andas?
Procuro por esta varanda
Enquanto a vida desanda.

Deste alto rondo
Vendo sol ante sol se pondo
Mas ainda não é tua voz que respondo.

Não há nada de ti
Nem acima ou abaixo daqui
Apenas tua ausência senti.

E por isso morro
Por não estar na minha frente
Mas sempre nos olhos da minha mente.

Foto por Manu Coloma

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Coisas


Enterrou o sorriso com que amavas
Fez-se lábio cinza imposto pela vida
Às tuas mãos só importam coisas.

Inúmeras tristezas e amarguras
Salvas dia a dia no mar da ira
Às tuas mãos só cabem coisas.

Serás nome inútil gravado em lápide
Dono único de um corpo morto
Às tuas mãos só carregam coisas.

E tudo que leva não preenche
Espaço algum se completa
Às tuas mãos só seguram coisas.

Pobre eu, só queria o que és e não o que dás.

Foto por Francisco Garrett

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Parte de um momento


Lagrimas secam pelo meu rosto
Saudade de como eu era antes
De cabeça baixa segue a alma enrugada
Por fora o corpo aparenta como ontem
Mas tudo escorre por dentro em mar de sal
Minha alma repousa em um barco velho
Navegando a deriva sem destino e só
Sou puro pensamento e nada sentimento
Talvez porque quem se vê bem não serve para se notar
Escondo-me de todos menos de mim
O mundo me enterra com pedras pesadas
Como não sei o que fazer com elas as guardo
Afundo neste mar profundo e denso
Ergue-se na encosta uma verdade falsa
Vejo em mim o antes e o depois
Já não tenho certeza se devo continuar.

Foto por Manu Coloma

terça-feira, novembro 27, 2007

Flores de chuva


Se cada beijo fosse
Anuncio de despedida
Beijaria como se fosse
Ultimo suspiro de vida
Aqui escorre a chuva triste
Que talvez já nos toque
Dizendo em palavras justas
Que flores não são perenes
Sendo as flores findas
Findo aqui nossas dores.

Foto por Manu Coloma

segunda-feira, novembro 19, 2007

Móbile


E a dor já é de pesar
Um espaço negro e profundo
Sem mágoa e sem amor
Vazio por fora oco por dentro.

Não sei mais os sonhos que tenho
Que angustia me fere?
Que prazer me encanta?

Para alguém que espera em vão
Já nada mais espera,
Já nada mais teme.

Onde a dor é um bem
Ser é fingir ser outro
Estar é mentir o momento.

Foto por Bruno Miranda

sexta-feira, novembro 09, 2007

Hoje em dia


Quando não te tinha não sabia
Que meu olhar era tão cego.

Mas sabia que tudo incompreendia
Certo de que hoje reparo diferente.

Sendo mais calmo, sereno e sincero,
Reparo sol, lua, nuvens e flores.

Reparo gosto e aroma
Tu existes, sou melhor.

Pois me amando, amo-a,
Me escolheu e assim se deu.

Nossos olhares fitaram-se
E tudo ficou demoradamente
Em silencio e congelado
Sobre todas as outras coisas.

Só me arrependo de não ter lhe amado antes
Mas penso que é este o valor da descoberta
Penso em ti e dentro de mim sou completo.

Sou eu, sou feliz,
Porque todos os dias acordo, lhe olho e sinto amor.

Foto por Manu Coloma

terça-feira, outubro 09, 2007

De longe


Gosto de tuas palavras
Pelo sabor que destes
Gosto de teus gestos
Pela delicadeza que tens
Gosto de teu sorriso
Pelo caminho que abres.

Simples assim
Gosto de tu
Sem sequer saber
Se gostas de mim.

Gosto de teus olhos
Pelos sonhos que vês
Gosto de tuas mãos
Pelo carinho que guardas
Gosto de teus lábios
Pelo segredo que és.

Simples assim
Gosto de tu
Sem sequer saber
Se gostas de mim.

Escrevo aqui esta verdade...
Quando penso em teu rosto
Fecho os olhos de saudade.

Foto por Nuno Manoel Batista

segunda-feira, setembro 24, 2007

“Amar se aprende amando”


Pousa nesses ramos a queda do amor
Que por puro descuido não regaste
Segue à dor a morte em lentos movimentos
Fenecendo sob o céu aos olhos de Deus.

Perdoarias tu se confessasses
Pois assim não seria mentir
Não perdôo então emudeço
Secando os galhos em desamor.

Caíram minhas pernas
Perdeu-se a vontade de andar
Segue o natural das coisas e das gentes
Não esperava que tu fosses como eles.

Esperava que fosse como eu imaginava
Mas todo sentimento escapa à letra escrita
E sem ter nem um nem outro
Emolduro a luz que por dias me iluminou.

Sendo sou planta fraca em tom amarelo
Recebendo água vã do pranto meu.

Obs: A foto de Lú Peçanha que ilustrava este post foi retirada a pedido de sua assessoria jurídica. Para maiores detalhes e esclarecimentos favor ler "comentários" abaixo.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Morte de Carlos Slim


Em mim as lágrimas nunca são o bastante
Contra esse inferno ardente e mal tratante
São da minha dor os espaços sem medida
De uma falsa esperança fantasiada de vida.

Ao sorriso cobre lágrima e horror
Champanhe bebemos quando há festa
Vinho bebemos quando há dor
E em ambos os copos nada resta.

Eram meus os sonhos de um menino novo
Hoje são todos rostos vazios feito um morto
Reduziram-me a poder e dinheiro dentro do bolso
Tornei-me um velho que da vida não sente mais gosto.

Foto por Ricardo da Costa