terça-feira, abril 15, 2008

Queda?


Será arte da fatalidade
Ou ato de maldade
Sobre quem cairá
O ônus da catástrofe

Soa o gongo da discussão
Começa a batalha judicial
Nomes técnicos, encenação,
Acusação, defesa e indignação.

A menina ficará morta
Mas como ficarão os vivos?
Os culpados juram inocência
Os inocentes serão culpados?

Foto por Ricardo Costa

sexta-feira, março 14, 2008

Menina passada


Já tive por ti grande admiração
Era das coisas a coisa mais rara
Pergunto-me porque mudaste de cara
Se não muda o coração
Reparo tua feição
Reparação tão desmedida
Mais dura e mais perdida
Como não ter desgosto
Adorava tua beleza
Foi como mudar a natureza
De tão mudado está seu rosto
Não sei se terás o mesmo gosto
Desculpe a sinceridade minha Senhora
Saiba que nem tudo é perfeição
Queria mesmo ver a menina de então
E não a menina de agora
Como fica quem lhe ama e adora
Desde o demoradamente
Como fica essa gente
De alma tão apaixonada
Trocar menina passada
Por menina presente.

Foto por Manu Coloma

sexta-feira, março 07, 2008

“I Am Mine”


Não vou mentir e dizer que tudo posso
Em mim sei aonde a verdade se esconde
Vou descobrir o manto e alcançar o ponto
Pois sábio é aquele que se cala para se ouvir
Ignorante é aquele que nega a se conhecer
Porque a maior ignorância é a de si mesmo.
Afinal o que um passo a mais pode me dar
Que minha alma já não tenha me dado
Se essa é a hora de parar me renderei
Levantarei meus braços diante de mim.
Feliz de quem possui a vida completamente
Triste de quem a possui parcialmente.
Posso ter qualquer riqueza, mas não de alma,
Porque a única riqueza de alma sou eu
E não há paisagem se não o que somos.

Foto por Dyna Hoffmann

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Quero Assim


Dar sorriso sem motivo
E flores sem ocasião

Abraçar tão forte
Só pra sentir o coração

Não pensar no dizer
Apenas libertar o sentir

Não ter receio de ser
É não ter medo de doer

Simplesmente querer
Amar além do medo
E simplesmente saber
Que amar se aprende amando.

Foto por Manu Coloma

terça-feira, fevereiro 12, 2008

...e a porta se abriu


O acaso criou para nós um encontro
Em hora e dia marcado por Deuses
Uma razão para confidências secretas
Que há tempos não se via sobre a terra.

Todos os movimentos do amor são partes
De prazer e dor carregados dentro do peito
Revelando verdadeiros sinais em formas reais
Multiplicando cuidado que por ti tenho levantado.

Pensamentos sinceros em um mundo de enganos
Enquanto profanos e aleivosos arquitetam seus planos
Eu apenas penso em ti e tu só pensas em mim.

Até agora seus olhos inda viram só parte de uma parte
Meus sonhos são teus enigmas de amor puro e raro
Trazendo à vista tão claro o que antes fora escuro.

Pena ir, melhor seria ficar, triste ter a saudade como par,
Guardada em um lugar onde só o amor se atreve caber.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Pois é


É tão claro o dia, mas em meu corpo é treva,
A culpa baixa nos meus ombros e seu peso me leva.

Vejo o que lhe dói bem lá no fundo
Porque também já me fizeram doer nesse mundo.

Por mim e por todos cai meu choro
Segue sinfonia de desespero em bravo coro.

Dor de primeira, mas não única despedida,
Trazendo deserto por onde anda a vida.

Dor de tudo, dor doente e amaldiçoada,
Consumindo o próprio sal da face inchada.

Dor do tempo que passou ignorado
Deixando a dor para um não amado.

Se não é o amor que nos liberta
Terá alguém uma resposta mais certa?

Será só ele mesmo que nos ilumina a face?
Só ele, mesmo de tão longe queremos que nos abrace.

Ao amor nada se explica nada se cala e nunca se basta
Sobre a terra desconheço algo de natureza tão casta.

E a prova é que para amar temos que estar vivendo
Tanto quanto para doer o que está doendo.

Foto por Manu Coloma

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Vou


Passou no rosto o lenço de adeus
Seguiu andando, pois é tempo de andar,
Deixou para trás fantasmas em pleno ar
Pela frente avista caminhos todos seus.

Quem clama é o futuro que ninguém responde
Repleto de acasos no ir e vir para não sei onde
Sentou e pensou em tudo de que o destino é feito
Respirou lentamente a liberdade dentro do peito.

Abriu os braços naturalmente em forma de asa
Tornou-se real para ele mesmo naquele momento
Entendendo que a vida cura a dor que passa
Assim também como a chuva o sol e o vento.

Porque é sempre tempo de recomeçar
Esquecer dos olhos o rastro de choro
Lembrando aos olhos a direção do olhar
O mais é tinta, sem esperança de quadro.

Foto por Bruno Miranda

terça-feira, janeiro 08, 2008

Varanda


Por onde andas?
Procuro por esta varanda
Enquanto a vida desanda.

Deste alto rondo
Vendo sol ante sol se pondo
Mas ainda não é tua voz que respondo.

Não há nada de ti
Nem acima ou abaixo daqui
Apenas tua ausência senti.

E por isso morro
Por não estar na minha frente
Mas sempre nos olhos da minha mente.

Foto por Manu Coloma

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Coisas


Enterrou o sorriso com que amavas
Fez-se lábio cinza imposto pela vida
Às tuas mãos só importam coisas.

Inúmeras tristezas e amarguras
Salvas dia a dia no mar da ira
Às tuas mãos só cabem coisas.

Serás nome inútil gravado em lápide
Dono único de um corpo morto
Às tuas mãos só carregam coisas.

E tudo que leva não preenche
Espaço algum se completa
Às tuas mãos só seguram coisas.

Pobre eu, só queria o que és e não o que dás.

Foto por Francisco Garrett

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Parte de um momento


Lagrimas secam pelo meu rosto
Saudade de como eu era antes
De cabeça baixa segue a alma enrugada
Por fora o corpo aparenta como ontem
Mas tudo escorre por dentro em mar de sal
Minha alma repousa em um barco velho
Navegando a deriva sem destino e só
Sou puro pensamento e nada sentimento
Talvez porque quem se vê bem não serve para se notar
Escondo-me de todos menos de mim
O mundo me enterra com pedras pesadas
Como não sei o que fazer com elas as guardo
Afundo neste mar profundo e denso
Ergue-se na encosta uma verdade falsa
Vejo em mim o antes e o depois
Já não tenho certeza se devo continuar.

Foto por Manu Coloma