
...Chegará um tempo
Onde a palavra será silêncio
E o silêncio será mantido.
O seco e o amargo
Tomarão conta das sentenças
E as sentenças serão um só deserto.
Um manto em vertical
Cobrirá o desejo madrigal
E o desejo se tornará indesejável.
Chegará um tempo
Onde seremos imóveis
Hóspedes em um retiro de atores,
Ossos largados por cães saciados
Tempo em que se perderá
O amor da alma e da alma a compreensão.
Deitará você tendo ninguém
Para de ti tomares conta
Sem dar conta fenecerá.
O sorriso será guardado
Feito segredo amaldiçoado
Pedaço de um passado crucificado,
Mantido esquecido se afogará
Os escafandristas desistirão
Nossos corpos já não serão matéria.
O amor seja lá como for
Não será mais amor
Será algo que aprenderemos a embalsamar,
Porque dos braços já não saem os laços
Não pedem, não prendem, se despedem, se perdem,
Por lugares onde não estaremos mais...
Foto por Mariana Maltoni